sexta-feira, dezembro 07, 2007

SENADO FEDERAL!!




“A corrupção, Senhores senadores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas".

O texto acima é de autoria de Rui Barbosa e foi pronunciado em um de seus memoráveis discursos no Parlamento em 1914. Após 93 anos as coisas só pioraram na casa do povo, os senadores que hoje prestam des-serviço aos eleitores, não aprenderam nada sobre ética e trabalho honesto continuam acreditando na lei do mais esperto, o mais mentiroso, o mais desonesto, o mais ladrão, o que faz maior falcatrua.

segunda-feira, junho 18, 2007

Dificuldade de governar




Dificuldade de governar

Bertold Brecht

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas.

Sem o Ministro da Saúde
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.

Sem o Ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra.

E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem a autorização do Ditador?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo em outro lugar.

É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?

Não haveria necessidade de espíritos tão esclarecidos como o Ditador.
Se o operário soubesse distinguir um campo de uma fôrma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque todo mundo é tão estúpido
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?


Fonte: Quinzena, nº 293. São Paulo, CPV, 30.10.2000, p. 32.

Todo homem é filósofo!!!




É preciso destruir o preconceito, muito difundido, de que a filosofia é algo muito difícil pelo fato de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto, demonstrar preliminarmente que todos os homens são 'filósofos', definindo os limites e as características desta 'filosofia espontânea', peculiar a 'todo o mundo', isto é, da filosofia que está contida: 1) na própria linguagem, que é um conjunto de noções e de conceitos determinados e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo; 2) no senso comum e no bom senso; 3) na religião popular e, conseqüentemente, em todo o sistema de crenças, superstições, opiniões, modos de ver e de agir que se manifestam naquilo que geralmente se conhece por 'folclore'.
Após demonstrar que todos são filósofos, ainda que a seu modo, inconscientemente – já que, até mesmo na mais simples manifestação de uma atividade intelectual qualquer, na 'linguagem', está contida uma determinada concepção do mundo, passa-se ao segundo momento, ao momento da crítica e da consciência, ou seja, ao seguinte problema: é preferível 'pensar' sem disto ter consciência crítica, de uma maneira desagregada e ocasional, isto é, 'participar' de uma concepção do mundo 'imposta' mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos muitos grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente (e que pode ser a própria aldeia ou a província, pode se originar na paróquia e na 'atividade intelectual' do vigário ou do velho patriarca, cuja 'sabedoria' dita leis, na mulher que herdou a sabedoria das bruxas ou no pequeno intelectual avinagrado pela própria estupidez e pela impotência para a ação), ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira consciente e crítica e, portanto, em ligação com este trabalho do próprio cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não mais aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade?
Pela própria concepção do mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo, precisamente o de todos os elementos sociais que compartilham um mesmo modo de pensar e de agir. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homens-massa ou homens-coletivos. O problema é o seguinte: qual é o tipo histórico de conformismo, de homem-massa do qual fazemos parte? Quando a concepção do mundo não é crítica e coerente, mas ocasional e desagregada, pertencemos simultaneamente a uma multiplicidade de homens-massa, nossa própria personalidade é compósita, de uma maneira bizarra: nela se encontram elementos dos homens das cavernas e princípios da ciência mais moderna e progressista, preconceitos de todas as fases históricas passadas estreitamente localistas e intuições de uma futura filosofia que será própria do gênero humano mundialmente unificado. Criticar a própria concepção do mundo, portanto, significa torná-la unitária e coerente e elevá-la até o ponto atingido pelo pensamento mundial mais evoluído. Significa também, portanto, criticar toda a filosofia até hoje existente, na medida em que ela deixou estratificações consolidadas na filosofia popular. O início da elaboração crítica é a consciência daquilo que é realmente, isto é, um 'conhece-te a ti mesmo' como produto do processo histórico até hoje desenvolvido, que deixou em ti uma infinidade de traços acolhidos sem análise crítica. Deve-se fazer, inicialmente, essa análise."
Fonte:
Trecho do "Caderno 11".
Folha de S. Paulo, Caderno Mais, 21/Nov/99

terça-feira, maio 15, 2007

Sons da Natureza....



Outro dia assistindo uma reportagem sobre as descobertas do Rambow, em seu passeio pelo Universo, descobri onde Van Gogh captava as imagens as quais pintava em seus quadros. Os redemoinhos, as cores fortes, o vendaval de emoções que assolava sua mente.....eram frutos das viagens fora do corpo....em seus passeios pelo Universo...

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O bom senso na vida!!!



A harpa afinada e o bom-senso na vida(Sutra Mahaparinirvana)
Era uma vez um jovem chamado Srona, de delicada saúde, e que nascera em uma rica família. Como, seriamente ansiasse obter a iluminação, tornou-se um discípulo do Buda. Com este propósito, dedicou-se e se esforçou tanto que seus pés chegaram a sangrar.O Buda dele se compadeceu e lhe disse : "Srona, meu jovem, você já estudou harpa ? Pois então deve saber que a harpa não produz música se suas cordas estiverem muito esticadas ou então frouxas demais. Ela produzirá música somente quando as cordas estiverem corretamente estiradas."E o Buda continuou : "O treinamento para a iluminação é exatamente como o ajuste das cordas da harpa. Você não pode alcançar a iluminação se deixar as cordas de sua mente estiradas ou frouxas demais. Deve estar sempre atento e agir sabiamente."Tirando grande proveito destas palavras, Srona alcançou aquilo que procurava.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Florbela Espanca!!!



Quem não ouviu falar de FLORBELA ESPANCA? a poetisa nascida no Alentejo, na cidade de Viçosa em 1894(Portugal). Foi uma das precursoras do movimento feminista. Seus casamentos fracassados a perda do irmão deixaram uma marca profunda na sua obra e vida. Florbela suicidou-se em 1930 em Matosinhos. Com uma personalidade de uma riqueza interior incomum, marcou os seus versos com uma desordem ardente, com um erotismo feminino transcendente, colocando a descoberto a alma da mulher. A sua poesia é intensa de um lirismo profundo e erótico. Sintam a beleza a sonoridade destes versos, são um lamento de uma alma que não encontrou neste plano material um lenitivo.

EU
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,

Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,

Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...


Sou a que chora sem saber por quê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,

Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou .

terça-feira, janeiro 30, 2007

TRIUNFO DOS BONS!!!





Ficção sobre o totalitarismo (Eduardo Cândido )
Por graça especial do Partido Benfazejo, fui designado para entrevistar o Grande Líder da Última Boa Nova, e anotar suas palavras de amor e sabedoria para publicação em nosso jornal, a Folha da Verdade, o único que existe. Assim procedi. A primeira coisa que pude observar foi a humildade, o charme, a candura, a singela bonacheirice do Grande Líder que, sentado em almofadas douradas e perfumadas, vestido com uma belíssima sobrepeliz muito condizente com a sua posição e virtude, digna de um sacerdote, demonstrava toda sua resignação e firmeza diante do desconforto causado pelo clima tórrido de nossa região, limpando com um lencinho de seda a transpiração da bela e grande testa, da qual despontava uma inusitada verruga.Nossa conversação foi absolutamente agradável:— Muito bem, agora que todos os inimigos estão esmagados e a memória deles varrida da História, como te sentes liderando os bons, os teus iguais?— Boa pergunta! Eu me sinto confortável, feliz e igual. E esta igualdade me compraz.— Eu também estou feliz! Explique-me, por favor, este excelso gozo.— Pois não. Veja bem, embora o povo esteja passando fome, coberto por chagas da mais negra pestilência, embora toda a moralidade tenha degenerado em manifestações instintivas de auto-preservação e de selvageria primitiva, e a tendência fatal é que as coisas vão piorar de forma horrível pois todos os instrumentos para reverter esse quadro estão totalmente derruídos, ainda assim estamos todos felizes. É uma química.— O povo também está feliz!— Sim, é claro que o povo está feliz, naturalmente, embora tenhamos de suportar injúrias e calúnias de loucos hostis que vivem se escondendo de nós. Não aceitamos a responsabilidade que esses covardes querem nos imputar. Como disse antes, é um processo químico. Isto quer dizer que estamos na estaca zero: a natureza humana tem uma roupagem nova e tudo dará certo.— Que maravilha de pensamento positivista! Perfeito! Mas é lamentável saber que não são todos que pensam assim. É triste, triste!— Sim, é triste, mas tais homens não pensam de fato. Esses opositores não representam problema nenhum. Aliás, a existência deles é essencial para o nosso negócio e eles sempre existirão. Jamais faltarão cabeças para decepar. É uma Lei Histórica: hoje triunfamos aqui, amanhã triunfaremos acolá. Nada pode nos deter e o mundo é nosso.— E que o mundo inteiro aceite esta felicidade!— Sem dúvida, e já podemos vislumbrar este fato. Com efeito, estamos felizes porque também vislumbramos o futuro.— Podes ver o futuro?— Sim. Lá está, no futuro, o mundo perfeito. Estamos felizes porque temos esse projeto.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Solidão


Outro dia percebi o tempo me atropelar. Não foi como das outras vezes. Eu estava acostumada, o tempo passava e eu já nem sentia mais. Meu coração virou pedra, meus sentidos não sentiam mais e a dor já era tão comum, cotidiana. Mas dessa vez ele me atropelou. E matou.Matou aquela menina, de quem me despeço agora. Com lágrimas no olhos ela cavou sua própria cova, sabendo que ninguém mais chorará a sua morte. Ela morreu sozinha, e sempre foi assim. Ninguém nunca a conheceu. Só o tempo, sempre seu companheiro, a viu dar seu primeiro passo. E o último.Sua última luta contra o tempo foi em vão. Assassino. Matou sem dó. Agora não existe mais menina. Existe algo sem nenhuma inocência, sem crença, sem alma, sem medo. Sem prisão. E o pior: sem amor. O tempo não permite amor. Se existe o tempo em primeiro lugar, o amor nunca poderá coexistir com ele. O tic-tac cruel dos minutos passando e sua vida sumindo por entre os dedos é o pior silêncio que se pode escutar. E o amor se foi. Porque o tempo estava ali, aqui, onde? Já se foi...A menina se foi mas o tempo ainda persiste. É um novo tempo e uma nova existência, que aprendeu tudo o que sabe através da menina. Não acredito que um dia eu consiga amar e derrotar meu inimigo. Tudo é diferente, mas continua igual. O tempo é curto e o destino é certo.(autora:VERONICA OTERO)